O deputado estadual Doriel Barros (PT/PE) foi uns dos deputados que tomaram posse a Assembleia Legislativa de Pernambuco (ALEPE) no dia 1º de fevereiro, sendo o quatro deputado mais votado no estado nas eleições de 2018. Na última quarta-feira (06) Doriel estreou na tribuna da casa direcionando homenagens ao ex-deputado Manoel Santos e o ex-presidente Lula e destacando sua luta pelo trabalhador pernambucano em especial da agricultura familiar. Confira o discurso na integra no vídeo e em texto! 

1º Pronunciamento Deputado Doriel Barros – 06/02/2019

 Senhor presidente, membros da mesa, senhoras e senhores deputados, povo de Pernambuco, é com muita honra que venho à tribuna da casa Joaquim Nabuco fazer meu primeiro pronunciamento, oportunidade em que gostaria de agradecer primeiramente a Deus, a minha família e aos 66 mil 990 eleitores, que me fizeram o 4º deputado estadual mais votado nas últimas eleições, tendo alcançado votação em todos os 184 municípios de Pernambuco e inclusive no Distrito de Fernando de Noronha.

Sou agricultor familiar do agreste de Pernambuco, nascido na zona rural do município de Águas Belas. E como todo trabalhador rural, foi preciso muito esforço para que eu conseguisse vencer os desafios e estudar. Hoje sou formado em Administração e Pós-graduado em Ciências políticas.

Sou Sindicalista Rural, iniciei minha caminhada como diretor da associação comunitária do sítio Bastiões, minha comunidade. Fui diretor do Sindicato de Águas Belas, e, logo depois, eleito como diretor de uma das maiores federações do Brasil, a FETAPE, que é a Federação dos trabalhadores rurais agricultores e agricultoras familiares do Estado de Pernambuco.

Nela fui diretor por 16 anos, dos quais nos últimos oito anos tive a oportunidade de ser presidente. Entre as muitas ações que realizamos a frente dessa importante instituição, tive o privilégio de contribuir para que pela primeira vez na história desta Assembleia Legislativa, um agricultor familiar ocupasse um assento nessa casa, o meu amigo, meu líder, o saudoso Manoel Santos.

Tenho orgulho de integrar o partido dos trabalhadores, que tem como grande líder, o companheiro Lula. Tenho certeza e não convicção, de que a sua prisão é resultado dos diversos programas criados por ele, que reduziram a miséria de milhões de brasileiros e brasileiras no nordeste e principalmente em Pernambuco. Ele deu a oportunidade das pessoas terem três refeições por dia, moradia digna, acesso a universidade, possuir carro, moto e tantos outros bens de consumo que eram apenas sonhos da nossa gente. Eu, por exemplo, não tive oportunidade na minha adolescência de ter, sequer, uma bicicleta. E o que dizer do Programa luz para todos, que tirou milhões de pessoas da escuridão. Sem esse programa, muitos dos nossos eleitores, senhoras e senhores deputados, ainda hoje estariam no velho candeeiro ou lamparina.  São esses e tantos outros motivos que me fazem reverenciar Luiz Inácio Lula da Silva, o Melhor presidente que o BRASIL já teve.

Chego nesta casa com o apoio do meu partido, da FETAPE, FETAEPE, MST, de várias lideranças políticas e sindicais que confiaram neste projeto, e diferentes organizações e movimentos sociais, do campo e da cidade.  Por isso, tenho muita honra de assumir essa missão, mas também tenho consciência da grande responsabilidade que estou assumindo.

Neste parlamento, pretendo ser um grande parceiro na aprovação de matérias que promovam os direitos e a qualidade de vida da nossa gente. Todos que aqui foram eleitos e eleitas trazem bandeiras importantes para essa casa, e quero me colocar à disposição para debater e construir caminhos que assegurem igualdade de oportunidade para todos.

Por isso, também apresentarei aqui pautas importantes de uma enorme parcela da população de Pernambuco e espero contar com o apoio das senhoras deputadas e dos senhores deputados, para podermos assegurar à Agricultura Familiar e ao Assalariamento rural o devido reconhecimento como atividades fundamentais para o desenvolvimento do nosso estado.

Dessa forma buscarei aprovar propostas que venham fortalecer cada vez mais esses trabalhadores, que são essenciais para a economia de Pernambuco e para a produção de alimentos que consumimos todos os dias.

Buscarei, ainda, fazer as articulações que forem necessárias nos níveis estadual, regional e nacional, para combater toda e qualquer ameaça aos direitos historicamente conquistados por trabalhadores e trabalhadoras rurais e urbanos, a exemplo da reforma da previdência.

Caros deputados e deputadas, em Pernambuco, 90% do total de estabelecimentos rurais do Estado são da agricultura familiar. Eles ocupam uma área de 2 milhões e 500 mil hectares, sendo responsáveis por 83% do pessoal ocupado no campo.

A agricultura familiar em Pernambuco, segundo o Censo Agropecuário é responsável pelos seguintes índices:

  • 90% da produção de arroz em casca;
  • 91% da produção de feijão
  • 97% da produção de mandioca;
  • 89% da produção de milho e 53% da produção de café em grão.

 Na Pecuária, responde por:

  • 62% do rebanho bovino
  • 61% da produção de leite de vaca
  • 75% do leite de cabra
  • 81% do rebanho de suínos.

Entre outros aspectos relevantes da agricultura familiar e camponesa, podemos destacar que no Brasil, ela se constitui como essencial para politica de segurança alimentar, principalmente porque sua produção é majoritariamente provedora do mercado interno de alimentos e de matérias primas, contribuindo para sustentabilidade da produção e a inclusão social.

Vale destacar, também, o papel fundamental da agricultura familiar na proteção e preservação da fauna e flora da caatinga e da mata atlântica.

Enfatizo ainda a capacidade da agricultura familiar de superar as adversidades climáticas. Para se ter uma ideia, o semiárido nordestino (incluindo assim o pernambucano) e parte da Zona da Mata vem sofrendo, nos últimos anos, uma das piores secas da nossa história, impactando fortemente nos rebanhos (especialmente o bovino), na produção de grãos, na agricultura irrigada, no monocultivo da cana-de açúcar e no acesso à água.

Apesar da severidade da seca, de sua longevidade e dos seus impactos, a população do Semiárido demonstrou estar mais preparada para seu enfrentamento, sem necessidade de criação de frentes de emergência, de saques às feiras livres e, principalmente, sem mortes anunciadas pela falta de comida.

No que diz respeito à Zona da Mata, o foco somente na monocultora da cana-de-açúcar representa a falta de reconhecimento da capacidade de produção de alimentos que as terras da região oferecem.

Por isso, é importante estabelecer a reestruturação socioprodutiva, considerando a capacidade produtiva da agricultura familiar, especialmente quando associada a uma política pública de redistribuição de terras, de crédito, de assistência técnica e de acesso a mercados.

Por tudo isso, afirmo que fortalecer e ampliar as condições de produção e os canais de comercialização e consumo dos produtos da agricultura familiar, especialmente os agroecológicos, são instrumentos de combate à pobreza e de soberania alimentar, não só no campo, mas também na cidade.

O nosso mandato buscará abordar, neste parlamento, temas estratégicos relacionados aos agricultores e agricultoras familiares e camponesas, assalariados e assalariadas rurais, comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas, acampados e assentados da reforma agrária de Pernambuco e diferentes categorias de trabalhadores do meio urbano.

Queremos mostrar que A Força Que Vem Do Campo pode e deve se unir à cidade para promover o verdadeiro desenvolvimento sustentável do nosso estado.

Muito Obrigado!

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